Sinais de alerta nas urgências oftalmológicas

Doenças Oculares
25 de abril de 2018

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Sinais de alerta nas urgências oftalmológicas

Todos nós já passamos por situações em que gostaríamos de ter um oftalmologista ao lado imediatamente. Quem nunca acordou com olho vermelho e secreção ou então sentiu entrar um cisco no olho que não quer sair de jeito nenhum? São esses os motivos que levam muitas pessoas todos os dias a buscar prontos-socorros oftalmológicos ou consultas de urgência em clínicas oculares, tornando a Oftalmologia uma das especialidades médicas mais procuradas para pronto atendimento.

Entretanto existem algumas situações mais graves, que exigem avaliação imediata dos olhos, já que trazem risco de dano permanente à visão ou ao globo ocular. Pensando nisto, elaboramos uma lista com as situações graves que mais comumente exigem atenção médica oftalmológica de urgência.

Piora repentina da visão. A perda da nitidez ou de parte do campo de visão que ocorre de maneira súbita é sempre um sinal preocupante, principalmente quando ocorre em apenas um dos olhos. Quando a piora da visão ocorre sem outros sintomas, em geral isto indica doenças do fundo de olho, afetando a retina ou nervo óptico. As mais comuns são hemorragia vítrea (sangramento no fundo de olho), descolamento de retina, infartos retinianos e inflamações no nervo óptico. Pessoas com mais de 6 graus de miopia, diabéticos e portadores de doenças auto imunes são grupos de riscos, devendo prestar especial atenção. O tratamento pode requerer uso de medicações, laser ou até mesmo cirurgia. Quando a perda de visão está acompanhada de outros sintomas, como dor ou olho vermelho, as causas podem ser outras, como veremos a seguir.

Dor ocular intensa. Muitas doenças podem causar desconforto nos olhos, e geralmente são problemas que requerem acompanhamento médico mas não representam ameaças graves à visão; são exemplos olho seco e cansaço visual por falta de óculos. Entretanto, dor intensa, de progressão rápida e que não melhora com uso de lubrificantes oculares e analgésicos comuns é sempre algo preocupante. Se acompanhada de olho vermelho, embaçamento visual, visão de halos luminosos e náusea, uma suspeita forte é glaucoma agudo, uma doença provocada por aumento súbito da pressão ocular, que requer tratamento medicamentoso de urgência e, posteriormente, acompanhamento para avaliar necessidade de laser ou cirurgia para controlar a doença. Quem usa lentes de contato também deve ficar atento com quadros de dor ocular intesa e persistente; embora frequentemente haja irritações simples causadas pelo uso da lente, pode haver também quadros mais graves, principalmente infecções; a conduta neste caso é interromper imediatamente o uso da lente, usar lubrificante ocular e passar por consulta oftalmológica assim que possível.

Sinais de alerta nas urgências oftalmológicas

Olho vermelho. Um dos principais motivos que levam as pessoas a procurar o oftalmologista, o olho vermelho muito frequentemente é causado por conjuntivites viriais, alérgicas e distúrbios das pálpebras e da lágrima; tais doenças, embora importantes, evoluem geralmente bem, sendo quadros de menor gravidade. Porém, vermelhidão acompanhada de dor, piora da visão e embranquecimento da parte colorida do olho pode significar infecção da córnea, frequentemente com úlceras (“buracos”) na superfície de olho. Pessoas que usam lente de contato, que tiveram traumas ou machucados recentes no olho, com histórico prévio de herpes (no olho ou nos lábios) ou que têm olho seco grave são os grupos de risco; o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível após avaliação médica, com colírios antibióticos de horário. Quando o olho vermelho está acompanhado de irritação ao olhar para a luz, borramento da visão e visualização de pontos flutuantes em um ou ambos os olhos, podemos estar diante de uma uveíte, ou seja, uma inflação interna do olho. Ela pode ser provocada por processos inflamatórios isolados, por infecção e e, alguns casos, por tumores. O tratamento é feito com colírios, medicações para tomar por via oral e às vezes há necessidade de intervenções cirúrgicas.

Distúrbios da movimentação dos olhos e das pálpebras. Algumas vezes, podem ocorrer episódios súbitos de desvio dos olhos (conhecido tecnicamente como estrabismo), o que em geral provoca visão dupla (diplopia); é também possível que ocorra queda e perda da movimentação de uma das pálpebras associada ao quadro. Quando isto ocorre, deve-se suspeitar de lesões dos nervos que movimentam os olhos, o que pode ser causado por acidente vascular encefálico (AVE, antes conhecido como AVC), aneurismas, sangramentos no sistema nervoso e tumores da cabeça. Pela gravidade dos quadros que estão por trás do estrabismo de início súbito, é importante avaliação oftalmológica em conjunto com o clínico e com o neurologista.

Trauma ocular. Como qualquer outra parte do corpo, os olhos também podem sofrer acidentes ou traumas. Traumas com objetos rombos, não cortantes, são conhecidos como contusos; exemplos são quedas com impacto no olho, acidentes em esportes (com bolas ou socos) e pancadas associadas a traumas em outras partes do corpo (como em acidentes automobilísticos). Também podem ocorrer lestes perfuro-cortantes, principalmente com agulhas, armas brancas, vidro e após explosões. Embora o mais importante seja evitar que tais situações ocorram (principalmente com medidas como uso de óculos de proteção e não deixar as crianças brincarem com objetos pontiagudos), é importante saber o que fazer caso elas aconteçam. Não se deve coçar, apertar ou manipular os olhos de fora alguma; o ideal é proteger a superfície ocular com um objeto limpo (como uma gaze), sem apertar os olhos, e só usar colírios após a avaliação médica, que deve ser feita imediatamente.

Piora da visão e dos olhos em pacientes recém-operados. Pacientes submetidos a cirugia ocular recente, principalmente na primeira semana, devem ficar atentos para a ocorrência dos sinais já citados acima, principalmente dor intensa, vermelhidão importante e piora súbita e grave da visão. Evidentemente é natural que pessoas que passaram por cirurgia nos olhos tenham algum desconforto, vermelhidão ou embaçamento ocular nos primeiros dias. Porém, se o quadro for mais intenso, deve-se procurar reavaliação oftalmológica imediata, principalmente devido ao risco de infecção dentro do olho (conhecida como endoftalmite), quadro de extrema gravidade que requer tratamento rápido, com medicações e eventualmente cirurgia. Devem ficar especialmente atentos pacientes submetidos a cirurgia de catarata, transplante de córnea, glaucoma e retina.

Queimaduras oculares. A entrada de produtos tóxicos no olho, conhecida como queimadura ocular, é um quadro que requer especial atenção. Elas podem ser causadas por diversas substâncias, como sabões, solventes, ácidos, medicações de uso não ocular, soda cáustica e outros irritativos. A medida mais importante a ser tomada quando isto ocorrer, antes mesmo de passar pelo médico oftalmologista, é lavar o olho com água limpa, para tirar imediatamente a substância tóxica do olho. Isto deve ser feito com um auxiliar para ajudar a manter as pálpebras da pessoa abertas, e o olho pode ser lavado com o auxílio de um copo limpo ou de fontes de água corrente (algumas empresas têm aparelhos específicos para a lavagem imediata dos olhos, caso ocorra um acidente no local de trabalho). Após lavar bem o olho afetado, o paciente deve ir imediatamente ao oftalmologista, que avaliará o grau de comprometimento do olho e prescreverá o tratamento. É fundamental salientar que quanto mais rápido for feita a lavagem para retirar a substância tóxica do olho, menor o risco de comprometimento da visão no futuro, daí a importância de agir rapidamente em situações como esta.

Os olhos e a visão estão entre os bens mais preciosos que temos em nossas vidas. Quanto mais conhecermos sobre eles e quanto mais soubermos como e quando agir quando algo grave acontece com eles, melhor será a nossa qualidade de visão e de vida.

Responsável: Dr. José Belúcio | CRM 1557.38

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