Cuidados na visão em pacientes com Síndrome de Down

Cuidados com os olhos, Dicas, Doenças Oculares, Informativo
21 de março de 2017

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As pessoas com Síndrome de Down tendem a apresentar alterações oculares com uma frequência maior do que o restante da população. Felizmente, a maioria das condições são passíveis de tratamento, seja por uso de óculos, terapias específicas ou intervenção cirúrgica. Problemas de visão podem ter um impacto grande na vida dessas crianças, pois podem  comprometer o desenvolvimento e o aprendizado. Por isso, é fundamental que todos os  portadores da síndrome sejam avaliados por um oftalmologista, para que o diagnóstico seja feito precocemente e para que se inicie o tratamento o mais cedo possível.

Vamos falar um pouco sobre os principais problemas oculares e como abordá-los da maneira correta.

Defeitos que são corrigidos com óculos:

  • Miopia
  • Hipermetropia
  • Astigmatismo

Até 90% das pessoas com síndrome de Down podem necessitar do uso de óculos.

 

Transtornos da motilidade ocular

–   Estrabismo (desvio ocular): acomete cerca de 38% das crianças com síndrome de Down.

  • Nistagmo: são pequenos movimentos involuntários dos olhos e sua prevalência chega a quase 20% das crianças com síndrome de Down

Essas alterações podem ser corrigidos com óculos e oclusão (tampão) e, em alguns casos, com cirurgia.

 

Catarata

  • Atinge até 60% das pessoas com a síndrome
  • Pode estar presente ao nascimento (Catarata Congênita) ou desenvolver-se ao longo da vida.
  • A prevalência da Catarata Congênita é maior em crianças com Síndrome de Down e pode ser diagnosticada na avaliação do Reflexo Vermelho do bebê (“Teste do Olhinho”), feita na maternidade.
  • O tratamento é cirúrgico e a maior parte dos casos de Catarata Congênita requer conduta imediata, para permitir o adequado desenvolvimento visual da criança.

 

Blefarite

  • É uma inflamação que afeta a pálpebra, junto aos cílios, provocando coceira e vermelhidão ocular.
  • Pode ser confundida com a conjuntivite, mas não é contagiosa;
  • Melhora com medidas simples como: fazer compressas com água morna e limpar as pálpebras com xampu neutro infantil diluído em água;
  • Casos mais severos requerem tratamento com antibióticos.

 

Conjuntivite e Obstrução do canal lacrimal (30%)

  • Ocorrem em até 30% das pessoas com síndrome de Down.
  • Neste grupo de indivíduos o canal da lágrima tende a ser mais estreito já que, devido à maior frequência de infecções de nariz e garganta nesses pacientes, a drenagem fica bloqueada com facilidade. Isso leva os olhos a lacrimejarem, o que aumenta o risco de infecções;
  • As infecções normalmente são tratadas com antibióticos em forma de colírio e os olhos devem ser limpos e higienizados frequentemente.
  • À medida que o canal lacrimal se alarga com o crescimento, este problema tende a se amenizar. Se a obstrução persistir, pode ser necessário cirurgia para desobstrução do canal lacrimal.

 

 

Ceratocone

  • É uma doença da córnea que pode levar desde a necessidade de uso de óculos até ao transplante de córnea, nos casos mais graves
  • A condição é extremamente rara na infância, mas pode manifestar-se durante a adolescência e afeta entre 10 e 15% dos adultos com a síndrome.
  • Existe uma relação comprovada entre ceratocone e o ato de coçar e apertar os olhos de maneira inadequada;
  • A identificação precoce da doença permite acompanhamento e tratamento adequado, minimizando o risco de perda visual e necessidade de transplante de córnea.

 

 

Recomendação oftalmológicas

 

  • Exames oftalmológicos regulares são essenciais para todas as pessoas com síndrome de Down, permitindo diagnóstico precoce de alterações oculares e início imediato do tratamento.
  • De acordo com as Diretrizes de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down, “caso algum problema ocular seja encontrado nos exames de rotina, o médico pode solicitar maior frequência de avaliações”.
  • Coçar, apertar e esfregar os olhos com força são fatores relacionados ao surgimento e progressão do ceratocone, descolamento de retina e outros problemas. Por isso, os pais ou cuidadores devem ser orientados desde as primeiras consultas, sobre a importância de exercerem supervisão cuidadosa e atuarem no sentido de reduzir a tendência e o hábito de esfregar e apertar os olhos.

Responsável: Dra Raíza Dantas | CRM: 161.735


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